Leitura Família Brazão tinha planos de crescer na estrutura de poder do Rio

Família Brazão tinha planos de crescer na estrutura de poder do Rio

Domingos, o mais poderoso integrante da família Brazão, planejava voltar à política. Hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ele completaria o tempo de contribuição necessário para se aposentar nos próximos dois anos. E pesava a possibilidade de deixar o tribunal, voltar à Assembleia Legislativa na eleição de 2026 — e, no cargo, se candidatar a presidente da casa. Domingos foi preso, neste domingo (24), sob a acusação de ser, ao lado do irmão e deputado federal Chiquinho, o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Nas eleições deste ano, ia lançar a candidatura do filho Kaio, de 22 anos, a vereador. O rapaz já estava em pré-campanha nas redes sociais. Depois da prisão do pai, ocultou e bloqueou os comentários de todas as postagens do seu Instagram.

Mesmo no TCE, Domingos nunca se afastou da política — e ampliou a abrangência do clã. Era bem-relacionado nas mais variadas instâncias. Tinha influência na Prefeitura do Rio e no governo do estado (circulam vídeos com os elogios feitos à família tanto pelo prefeito Eduardo Paes quanto pelo governador Cláudio Castro). Na eleição de Rodrigo Bacellar à presidência da Assembleia Legislativa, estava no plenário. No discurso, Bacellar elogiou o conselheiro e agradeceu. “O senhor me ensinou muito”. 

Além de Chiquinho na Câmara dos Deputados; a família conta com o irmão Pedro na Assembleia Legislativa — eleito, inclusive, vice-presidente da casa — e com Waldir (que não é parente, mas é do grupo politico e usa o sobrenome Brazão) na Câmara de Vereadores do Rio. A irmã Lúcia é a presidente do diretório do Republicanos no município do Rio.

O conselheiro estava à toda nos bastidores das eleições de outubro. Era ele quem estava preparando a nominata, para a capital, do partido Republicanos — presidido por Wagner Carneiro, o Waguinho, aliado de longa data. Também atuava em outras frentes, como no MDB, partido ao qual era filiado quando estava na Assembleia. Era ao MDB que iria filiar o filho Kaio.

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