Leitura Mãe e filha que ‘moram’ no McDonald’s do Leblon acumulam processos de calote e injúria

Mãe e filha que ‘moram’ no McDonald’s do Leblon acumulam processos de calote e injúria

Incomodadas por chamarem atenção de orgãos de imprensa e curiosos, mãe e filha que “moram” no MacDonald’s do Leblon já repetiram, algumas vezes, que vão processar quem repercute a história delas. No entanto, Susane Paula Muratori Geremia, de 64 anos, e Bruna Muratori Geremia, de 31, são antigas conhecidas da Justiça: elas têm condenação por injúria racial e acumulam denúncias de calote.

O rastro de dívidas de aluguel começa com dois casos no Rio Grande do Sul, de onde vieram há 8 anos para a capital fluminense. Em um deles, de 2017, o débito chegou a R$ 10 mil após quatro meses sem pagamento.

Elas também foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, em 2018, por injúria racial e condenadas a 1 ano em regime aberto. A pena foi substituída por prestação de serviços comunitários.

Na cidade do Rio, existem três casos de contratos nos nomes das duas: num desses, em 2019, elas foram condenadas e despejadas pela Justiça por acumularem dívidas de mais de R$ 13 mil. Em outro, o juiz avaliou o caso das duas como hipossuficiência, ou seja, elas não tinham condições financeiras de arcar com o acumulado. Há relatos ainda de que elas foram expulsas de hotéis de Copacabana por deixarem de pagar as diárias.

Segundo funcionários da lanchonete, elas passam o dia no local desde fevereiro deste ano, ao lado de cinco malas grandes. Mãe e filha consomem no estabelecimento e só saem de madrugada, quando a loja fecha, e dormem do lado de fora.

“É inveja”

Depois que a história foi revelada pela rádio CBN, as duas são alvo da abordagem de diversos veículos. Ao jornal O Dia, Bruna disse que o interesse foi motivado por inveja:

“Se fosse uma pessoa de pele morena, se fosse uma pessoa de pouca roupa, com pouca mala, não teria despertado curiosidade. Se eu não fosse loira e atraente não teria despertado”. Ela classificou o Leblon como um “bairro de fofoqueiros” e Susane concordou: “as pessoas são atrasadas”.

As duas já recusaram qualquer ajuda, inclusive vaga em abrigo que foi oferecida pela Secretaria municipal de Assistência Social (SMAS).

Segundo Bruna, as pessoas teriam criado um problema para ela e sua mãe, que estão procurando um aluguel na região por até R$ 1.200. Sobre os processos, afirmou que já foram solucionados: “Estávamos resolvendo uma situação. Estamos procurando um lugar para ficar. É comum essa situação. Não tem apartamento. Ou colocam o preço lá em cima por causa do turismo, está difícil demais. As pessoas querem lucrar”.

História

À TV Globo, Susane contou que largou o estilo de vida ao lado de surfistas para cuidar da filha recém-nascida. “Um certo dia eu disse: ‘vou parar e vou engravidar da minha filha que eu quero muito’. Desde criança eu a queria”, contou.

Ela casou com um homem do Reino Unido, e juntos foram sócios em uma empresa registrada em Porto Alegre como comércio atacadista de produtos químicos, petroquímicos, e defensivos agrícolas e adubos. O marido vive na Inglaterra e envia dinheiro para elas no Rio.

Bruna, que é fluente em inglês e espanhol e possui conhecimentos de francês, já trabalhou em restaurantes na cidade, como professora de idiomas, atendente de hotel e recepcionista de uma padaria do Leblon. Seu último emprego foi em um quiosque do mesmo bairro, onde trabalhou por duas semanas em janeiro deste ano. Os funcionários classificaram seu perfil como “autoritário”.

Atualmente, a mais jovem disse que estuda para concursos públicos, mas, no momento, não tem edital disponível para o cargo que deseja.

MacDonald’s estuda caso

Após a grande repercussão em torno do caso ,o McDonald’s convocou uma reunião interna para deliberar sobre a situação. O encontro, de âmbito nacional, foi solicitado pelo proprietário da filial do Leblon. O departamento jurídico da rede está avaliando a possibilidade de tomar medidas legais contra as duas mulheres por abuso do consumidor.

Durante a reunião, fontes relatam que o empresário expressou sua frustração diante da situação, destacando que se encontra em uma posição delicada, pois as mulheres são clientes regulares do estabelecimento.

Elas denunciaram policial

De acordo com a Polícia Civil, não há comunicação de crime relacionado à permanência delas no local. Mas confirmou que existem três registros de ocorrência por calotes em hotéis em Copacabana. As queixas aconteceram em 2018, 2019 e 2021. Em todos os casos, elas foram expulsas por falta de pagamento das diárias utilizadas.

Em um dos casos, após deixarem o hotel, mãe e filha denunciaram um policial que tinha atendido a ocorrência, alegando que foram “humilhadas, constrangidas e expostas” durante a abordagem. No entanto, no curso das investigações, a Corregedoria concluiu que isso não ocorreu.

Após essa conclusão da Corregedoria, o Ministério Público do Rio pediu a condenação delas por “denunciação caluniosa”. Só que a Justiça nunca conseguiu encontrá-las para que fossem ouvidas e, depois de mais de um ano tentando notificá-las, o caso acabou sendo arquivado.

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