Leitura PM cerca assentamento legalizado pelo Incra em Campos dos Goytacazes

PM cerca assentamento legalizado pelo Incra em Campos dos Goytacazes

Pelo menos dez viaturas do 8º BPM (Campos dos Goytacazes) cercaram o assentamento Josué de Castro, às margens da BR-101 Norte (Rio-Bahia), na manhã desta segunda-feira (15). O Movimento dos Sem Terra (MST) denuncia que as famílias assentadas estão sendo intimidadas pelo uso de drones e bloqueadores de sinal de celular. O assentamento foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2007, e está totalmente regularizado.

De acordo com a Polícia Militar, foi montada uma operação em conjunto com a Civil, porque havia informações de que estava sendo organizada a ocupação da propriedade conhecida como Fazenda dos Ferreira, no Morro do Coco, às margens da BR-101 e a cerca 50 quilômetros do Espírito Santo. Cerca de cem pessoas chegaram em ônibus para a ocupação. Ao encontrarem a operação policial, buscaram abrigo no assentamento legalizado. A PM diz que a ação busca evitar risco de conflito agrário, já que os fazendeiros poderiam reagir, e a ocupação ilegal.

Os sem terra acusam os policiais de impedirem o direito de reunião, a liberdade de associação, o cooperativismo e a efetivação do direito à reforma agrária, direitos garantidos pela Constituição.

A situação em Campos dos Goytacazes já andava tensa nos últimos dias. Na última sexta-feira (12), o Ministério Público Federal (MPF) solicitou providências à Secretaria de Segurança Pública e à PM sobre denúncias de intimidação policial contra assentados rurais no estado. Em ofício, pediu informações sobre ações policiais desproporcionais que teriam ocorrido durante projeto da Defensoria Pública do Estado (DPE-RJ) em áreas oriundas da reforma agrária, em 6 de abril, em Campos dos Goytacazes.

A apuração do Ministério Público começou depois de uma representação do Núcleo de Assessoria Jurídica (Najup) Popular Luiza Mahin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O documento trouxe relatos de abordagens policiais agressivas e tentativas de intimidação contra membros de movimentos sociais que estavam conduzindo atividade de conscientização agrária, durante ação da DPE.

A deputada Marina do MST (PT) lembrou em suas redes sociais que, segundo o Ministério da Cidadania, há 236.525 pessoas em estado de vulnerabilidade social em Campos dos Goytacazes. E que há dezenas de processos de desapropriação paralisados na Justiça.

“São locais que poderiam se tornar novas áreas de assentamento e de produção de comida de verdade. Nas áreas que já foram destinadas à Reforma Agrária é necessário garantir políticas públicas de créditos, infraestrutura, saúde, educação e cidadania, possibilitando melhor qualidade de vida às famílias assentadas. Isso é nada menos que garantir o cumprimento da lei”, disse Marina.

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Os sem terra em área de assentamento às margens da BR-101 – Divulgação/Júnior Araújo

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